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Os artigos veiculados neste blog podem ser utilizados pelos interessados, desde que citada a fonte: GÖLLER, Lisete. [inclua o título da postagem], in Memorial do Tempo (http://memorialdotempo.blogspot.com.br/), nos termos da Lei n.º 9.610/98.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Família Göller - Álbum de Família - Johann Göller - Ramo Margarida Göller Jung


RAMO MARGARIDA GÖLLER (FILHA DO IMIGRANTE JOHANN GÖLLER) CASADA COM JOÃO JUNG

SUB-RAMO JOSEPHINA ELISABETHA JUNG E JOSÉ FEDERHEN

MATHIAS JUNG FEDERHEN, FILHO DE JOSÉ FEDERHEN E JOSEPHINA ELISABETHA JUNG (1ª ESPOSA), NETO DE MARGARIDA GÖLLER E JOÃO JUNG – FOTO: LISETE GÖLLER


Mathias Jung Federhen


SUB-RAMO MARIA CATHARINA JUNG E JOSÉ FEDERHEN

ELISABETHA LEONIDA JUNG FEDERHEN, FILHA DE JOSÉ FEDERHEN E MARIA CATHARINA JUNG (2ª ESPOSA), NETA DE MARGARIDA GÖLLER E JOÃO JUNG E ESPOSO BENNO HOFFMANN, FILHO DE JOSÉ HOFFMANN E MAGDALENA TROCOURT – FOTOS: LISETE GÖLLER


Elisabetha Leonida Jung Federhen Hoffmann
Benno Hoffmann






















Família Göller - Álbum de Família


IMIGRANTE ANNA MARIA GÖLLER E ESPOSO NICOLAU SCHABARUM

RAMO GUILHERME SCHABARUM E THERESIA JUNG

MARIA SCHABARUM, FILHA DE GUILHERME SCHABARUM E THERESIA JUNG E ESPOSO CASIMIRO HOLZ, FILHO DE MATHIAS HOLZ E BARBARA BACKES – FOTOS: LISETE GÖLLER


Casimiro Holz
Maria Schabarum Holz






















RAMO GUILHERME SCHABARUM E THERESIA JUNG

ALOYSIO SCHABARUM, FILHO DE GUILHERME SCHABARUM E THERESIA JUNG E ESPOSA CATHARINA MARSCHALL, FILHA DE PEDRO MARSCHALL FILHO E PAULINA LÖCHNER – FOTOS: LISETE GÖLLER


Aloysio Schabarum
Catharina Marschall Schabarum























quarta-feira, 23 de maio de 2018

Família Göller - Lápides - Ramo Anna Maria Göller Schabarum


IMIGRANTE ANNA MARIA GÖLLER E ESPOSO NIKOLAUS SCHABARUM


Lápide do túmulo de Anna Maria Göller no Cemitério Católico de Picada Holanda, localidade de Picada Café RS – Foto: Acervo de Milton Schabarum


Lápide do túmulo de Nikolaus Schabarum no Cemitério Católico de Picada Holanda, localidade de Picada Café RS – Foto: Acervo de Milton Schabarum


Lápides do casal Anna Maria Göller e Nikolaus Schabarum no Cemitério Católico de Picada Holanda, localidade de Picada Café RS – Foto: Acervo de Milton Schabarum


Família Göller - Lápides - Ramo Anna Maria Göller Schabarum


IMIGRANTE ANNA MARIA GÖLLER E ESPOSO NIKOLAUS SCHABARUM

SUB-RAMO GUILHERME (WILHELM) SCHABARUM E THERESIA JUNG


Lápide do túmulo de Guilherme Schabarum, filho de Anna Maria Göller e Nikolaus Schabarum, no Cemitério Católico de Joaneta, Picada Café RS – Foto: Lisete Göller


Lápide do túmulo de Theresia Jung Schabarum, filha de Jacob Jung e Maria Anna Eckert, esposa de Guilherme Schabarum, no Cemitério Católico de Joaneta, Picada Café RS – Foto: Lisete Göller


Túmulo onde estão sepultados Maria Schabarum Holz, filha de Guilherme Schabarum e Theresia Jung, e o esposo Casimiro Holz, filho de Mathias Holz e Barbara Backes, no Cemitério Católico de Joaneta, Picada Café RS – Foto: Lisete Göller


Lápide do túmulo de Edvino Schabarum, filho de Jacob Schabarum e Margarida Utzig, neto de Guilherme Schabarum e Theresia Jung, e da esposa Eugenia Hansen, filha de João Hansen e Catharina Kuhn, no Cemitério Católico de Joaneta, Picada Café RS – Foto: Billion Graves


Lápide do túmulo onde estão sepultados Jacob Hoffmann, filho de Maria Paulina Schabarum e João Hoffmann, neto de Guilherme Schabarum e Theresia Jung, e a esposa Catharina Knorst, filha de Adão Knorst e Anna Weber, no Cemitério Católico de Joaneta, Picada Café RS – Foto: Billion Graves


Túmulo onde estão sepultados Aloysio (Aloys) Schabarum, filho de Guilherme Schabarum e Theresia Jung, e a esposa Catharina Marschall, filha de Pedro Marschall Filho e Paulina Löchner, no Cemitério Católico de Joaneta, Picada Café RS – Foto: Lisete Göller


Lápide de Pedro Schabarum, filho de Aloysio (Aloys) Schabarum de Catharina Marschall, neto de Guilherme Schabarum e Theresia Jung, no Cemitério Católico de Joaneta, Picada Café RS – Foto: Billion Graves


quarta-feira, 9 de maio de 2018

Família Welter - Álbum de Família - Johannes Welter

IMIGRANTE JOHANNES WELTER E ESPOSA MARIA CATHARINA HEIL

RAMO JACOB WELTER E CATHARINA ANSCHAU


João Welter II, filho de Jacob Welter e Catharina Anschau, neto do imigrante Johannes Welter, com a esposa Maria Isabel de Vargas, filha de Fulgêncio Pereira de Vargas e Maria José da Conceição – Foto: Acervo de Denilson Paraboni Welter


Theodorico Welter, filho de João Welter II e Maria Isabel de Vargas, neto de Jacob Welter e Catharina Anschau, na ocasião de seu casamento com Fridolina Kitsmann – Foto: Acervo de Denilson Paraboni Welter


Família Welter - Obituários - Ramo Johannes Welter


Fonte: Acervo Benno Lermen - Instituto Anchietano de Pesquisas/UNISINOS 

JOHANNES WELTER E ESPOSA MARIA DILLENBURG (1ª ESPOSA)

SUB-RAMO MARIA WELTER E MATHIAS ANSCHAU


Obituário de Jacob Aloys Anschau, filho de Jacob Anschau Sobrinho e Maria Catharina Hahn, neto de Maria Welter e Mathias Anschau. Faleceu aos 12 anos em Pirapó, São Luiz das Missões RS


sábado, 31 de março de 2018

Memórias de uma Cidade - Tradições Polonesas


OS POLONESES EM PORTO ALEGRE RS


A imigração polonesa na cidade de Porto Alegre teve início a partir do ano de 1890. Inicialmente, a capital era apenas um ponto de passagem obrigatório dos imigrantes para as colônias do interior. Aos que não se adaptavam às difíceis condições do trabalho agrícola, restava-lhes tentar a sorte nos grandes centros, na tentativa de melhorar as suas condições de vida. Este período inicial durou até o final da I Guerra Mundial. Naquela época, a indústria e o comércio porto-alegrenses eram atividades promissoras, com mercados em fase de expansão, atraindo industriais e comerciantes. Para se estabelecerem, os poloneses escolheram o chamado 4º Distrito, área que abrange os bairros Anchieta, IAPI, Floresta, Navegantes, São Geraldo e São João. No ano de 1898, a colônia polonesa era composta por cerca de 400 famílias.

Graças à formação técnica e à capacidade de trabalho destes poloneses determinados, sugiram empresas e indústrias em Porto Alegre, como a Fábrica de Sapatos dos Irmãos Mendelski; a Funerária Majewski, fundada em 1916 por José Zórawski; a oficina de Stanislau Jarzynski, no ano de 1920, com sede na Praça Montevidéu; o cinema Thalia, administrado por João Paluszkiewicz nos Anos 1910 e o cinema Orfeu, construído pelos Irmãos Mendelski, no início dos Anos 1920.  


O Cinema Thalia localizava-se na Av. Presidente Roosevelt, no Bairro São Geraldo - Foto: Blog Cinemas de Porto Alegre Antigo


O Theatro Orpheu, depois Cine Astor, situado na Av. Benjamin Constant, no Bairro Floresta, foi projetado e construído pela família Pufal, contratada pela empresa dos Irmãos Mendelski - Foto: João Luiz Pufal – Anos 1920 - Blog Antigualhas, histórias e genealogia

A fase imigratória seguinte durou até a II Guerra Mundial, período em que vieram para a capital imigrantes possuidores de um bom nível cultural e técnico. Estes eram poloneses descontentes com o destino político da Polônia. Na última fase, que teve início com a implantação do Estado Novo de Getúlio Vargas, já se verificava o fluxo de imigrantes oriundos do interior do estado para os grandes centros, em busca de melhores condições de trabalho, saúde e educação, fenômeno este que se manteve até a atualidade. 

Entre os anos de 1896 e 1945, surgiram inúmeras sociedades polonesas em Porto Alegre, que procuravam reunir os poloneses e seus descendentes, com o objetivo de manter atividades culturais, educativas e de amparo aos seus associados.  A Sociedade Zgoda (Concórdia), a mais antiga sociedade registrada, foi criada em 1896, existindo até o ano de 1904, quando ocorreu a fusão com a Sociedade Águia Branca, a qual, por sua vez, uniu-se com a Sociedade Tadeusz Kosciusko, levando ao surgimento da atual Sociedade Polônia. Esta sociedade possui fins puramente sociais, culturais, desportivos e beneficentes.


O prédio da Sociedade Polônia situa-se na Rua São Pedro, 778, Bairro São Geraldo, na cidade de Porto Alegre RS – Fotos: Lisete Göller

O idioma falado pelos poloneses e descendentes dentro de suas casas e nas sociedades era o polonês, mas o português era aprendido na escola e usado na vida cotidiana fora destes locais. Com o apoio das sociedades, criou-se uma escola polono-brasileira e, mais tarde, o Colégio Polonês, situado onde hoje existe a Sociedade Polônia, que funcionou até a instalação do Estado Novo, quando estas escolas deixaram de existir. Com relação à integração com as outras etnias, esta seguiu um processo espontâneo e gradual, o que pode ser verificado através dos registros de casamentos no início do Século XX. Quanto à religião, os poloneses eram na sua grande maioria católicos. Por volta do ano de 1900, começaram a chegar padres que falavam o idioma polonês, sendo este um motivo de grande satisfação para toda a colônia. A Igreja de Nossa Senhora de Monte Claro, situado na Av. Presidente Roosevelt em Porto Alegre, é o templo de referência, com missas regulares em polonês e atuante na realização de atividades folclóricas e beneficentes. Esta Igreja é consagrada a Nossa Senhora de Czestochowa (em polonês: Matka Boska Częstochowska), a padroeira da Polônia, cujo santuário, situado na cidade de mesmo nome, tive a oportunidade de conhecer no ano de 2017.


A Igreja de Nossa Senhora de Monte Claro em Porto Alegre RS, um templo dedicado à Virgem Negra de Czestochowa – Fotos: Evandro I. G. Santos - Blog Retratos do Meu Jardim


Visita ao Santuário de Jasna Góra (Monte Claro) em Czestochowa, Polônia, o maior centro religioso católico polonês Foto: Lisete Göller


A Capela da Virgem Negra, no interior da Basílica, à qual é atribuída a vitória dos 70 monges e 180 voluntários locais sobre os invasores suecos no ano de 1655 – Foto: Lisete Göller

Na área da culinária, há em Porto Alegre um restaurante polonês que foi considerado pelo Guia 4 Rodas, por 15 anos consecutivos, o melhor restaurante polonês no Brasil. Este foi fundado pelas famílias de imigrantes poloneses de sobrenomes Jakubowski e Kowalczyk, que chegaram ao Brasil no ano de 1929, originários de Cracóvia. Após trabalharem durante muitos anos com a culinária polonesa, fundaram o restaurante Polska Restauracja em 1996, situado na Rua João Guimarães, nº 377, no Bairro Santa Cecília. Trago para o blog um pouco desta experiência culinária polonesa inesquecível!


O interior do Restaurante Polska em Porto Alegre; no detalhe, a Wódka Wyborowa, imersa num bloco de gelo e adornado com pimentas - Fotos: Lisete Göller


Peças do vestuário típico polonês e objetos decorativos que nos remetem à antiga Polônia - Fotos: Lisete Göller


Na decoração do restaurante foram utilizadas cristaleiras, que guardam objetos de madeira, ovos pintados à mão, bonecos com trajes típicos, cristais, entre outros; no quadro acima, o mote: A Polônia não sucumbirá enquanto nós vivermos! - Fotos: Lisete Göller


Nas fotos uma síntese da Mesa Polonesa: Pierogi (pastel cozido recheado com ricota e batata, com molho de nata e cebolinha dourada); Bigos Staropolski (repolhada polonesa com batatas); Placek po Cygansku (panqueca de batata com goulash); Knedle (bolinha de batata cozida recheada com ameixa); Kotlet z Drobiu (disco de frango ao molho de mostarda artesanal); Filet w sosie mysliwskim (filet ao molho caçador); Cwikla (beterraba com raiz forte); Kluski (massa cozida às colheradas ao molho de nata e funghi); Marchew W Miodie (Cenouras ao mel); sobremesas: Bananowe Dezy, merengue, banana, chantilly e molho de chocolate e bolinho com ameixa, uva passa e canela, com sorvete de creme, morangos e chantilly - Fotos: Lisete Göller

Fontes:
Site da Sociedade Polônia
Site do Polska Restauracja
Artigo de Estácio Nievinski Filho

Link da viagem à Czestochowa, Polônia:




terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Memórias de Infância II















O BALLET



Dentre as lembranças mais antigas dos tempos de infância, me vem à mente a época em que dançava imitando uma bailarina. Acredito que tinha uns 4 ou 5 anos de idade. Mas a causa definitiva, que levou ao encerramento da minha breve 'carreira', por assim dizer, foi aquele triste acontecimento ao levar um tombo na escada do armazém do tio Chico em Alegrete, resultando numa hérnia inguinal, que foi operada aos 7 anos de idade. Depois disso, a mãe passou a se preocupar demais comigo, temendo que tal infortúnio acontecesse novamente. Não podia correr ou fazer exercícios de ginástica no colégio por um bom tempo. O ballet seria uma coisa absolutamente inadequada para o meu 'estado', com todas aquelas ‘aberturas’ de pernas, que são executadas ao longo do curso. Era um exagero, é claro, mas este estado de coisas serviu para cultivar em mim certa tristeza em não poder realizar aquele velho sonho de infância. Mas as crianças logo se recuperam. Assim sendo, não dei tanta importância ao fato. Passaram-se os anos, e tudo o mais restou adormecido...



Quando voltei a pensar no assunto, foi na época em que estava trabalhando no Tribunal. Não me lembro em qual dos anos da década de 1980 que comecei a fazer aulas na Escola de Ballet Salma Chemale, que se localizava na Rua Mal. Floriano Peixoto, no centro de Porto Alegre. Entrei para uma classe de adultos, composta por alunas de diversas faixas etárias, as quais não se enquadravam num curso seriado normal. Neste período, tive a honra de conhecer a consagrada bailarina Salma Chemale. Ela já estava em idade avançada, mas, de vez em quando, gostava de ir até a nossa sala e dar alguns minutos de aula para a gente. Ela vinha nos ensinar o ‘port de bras’, alguns passos simples, dava ênfase à importância da postura, o ‘aplomb’, da bailarina e, vêm-me à mente agora, demonstrava como devia ser o movimento suave e ondulante da mão numa apresentação, imagem esta que se cristalizou na minha mente. 


Salma Chemale no ballet A Princesa Moura, também conhecido como Scheherazade - 1930

Salma Chemale (*08/06/1918 Porto Alegre RS/+13/12/1990 Porto Alegre RS), filha do libanês Elias Monteiro Chemale e Guelhe (Gaeilia) Chemale, era casada com Julio Gomes Barcelos, com quem teve os filhos Ciro Elias e Denise. Salma foi aluna de Mina Black e Nenê Dreher Bercht, no Instituto de Cultura Física do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, na década de 1920, onde se ensinava ginástica rítmica. Neste mesmo instituto, estudara Lya Bastian Meyer (*23/01/1911 Porto Alegre/+18/11/2005 Porto Alegre), a qual, a partir das atividades da classe de coreografia, fundou a Escola de Bailados Clássicos na década de 1930, a primeira escola oficial de dança no Rio Grande do Sul. Lya Meyer formou uma geração de bailarinos clássicos entre os anos de 1930 e 1950. Dentre as alunas, destacaram-se Salma Chemale e Tony Seitz Petzhold, que, anos mais tarde, se tornariam grandes bailarinas e professoras de ballet. Salma também estudou em São Paulo e Buenos Aires. Seu primeiro espetáculo individual foi realizado no ano de 1948.


Placa de Homenagem à Salma Chemale no Teatro São Pedro, oferecida pelas suas alunas. Este teatro durante muitos anos foi palco de inúmeras apresentações das alunas escola de Salma, sempre coroadas de muito sucesso

No ano de 1950, Salma abriu a sua própria Escola de Bailados Salma Chemale, na Rua Mal. Floriano Peixoto nº 520, no centro de Porto Alegre. Na década de 1960, a escola mudou-se para o nº 49, sobreloja, na mesma rua. Dentre as coreografias de maior sucesso da época, estavam Uiaras, A Lenda das Castanholas, Fantasia Árabe e Sinfonia Celeste. No decorrer do tempo, a escola já ampliava o ensino incluindo cursos de Ginástica Moderna e Rítmica, Dança Característica, Expressionista, Espanhola e Folclórica.


Salma Chemale (dir.) com sua filha Denise, candidata a Miss Porto Alegre no ano de 1955, representando o Clube Teresópolis Tênis Clube – Fonte: Jornal Diário de Notícias, Edição de 18/05/1955

Assim sendo, as atividades envolvendo a dança foram sendo repassadas ao longo dos anos às próximas gerações da família, pois a filha Denise e as netas Suzana, Leila e Márcia deram continuidade ao legado de Salma nos aspectos do ensino e da criação da arte da dança. Atualmente, o Ballet Chemale está estabelecido na Av. Plínio Brasil Milano, na cidade de Porto Alegre. Salma Chemale faleceu em 13/12/1990, aos 72 anos de idade, após sofrer um infarto.


Não gostava de matar as aulas, mesmo que estivesse com febre ou doente. Gostava tanto delas que, mal chegava em casa, anotava os exercícios que havia gravado na memória. Este treino é uma das coisas que mais se desenvolve no ballet. Não guardei estes manuscritos, nem lembro agora o nome da nossa professora, uma estudante de Direito, mas guardo na lembrança que era bem exigente. Naquela época, cheguei a convencer uma colega (deixo de revelar aqui o seu nome) a se matricular na minha turma. Quando dava uma folga, saíamos apenas com uma sacola contendo o material de aula. O tempo era contado no relógio minuto a minuto. Era um sufoco fazer render a nossa saída, demorando o mínimo possível... Com o tempo, a colega desistiu, mas eu segui um pouco mais adiante. Este tipo de turma de adultos não vai muito para frente, porque as pessoas, ou vão desistindo, ou vão entrando no meio do ano e, por causa disso, acabamos repetindo sempre as mesmas coisas... Mas nem tudo eram flores. Lembro-me com pesar da vez em que, fazendo um ‘temps de flèche’, quando o pé direito tocou o solo, um dos dedos ficou dobrado, e todo o meu peso caiu sobre este pobre membro... A dor foi muito grande, a ponto de caminhar com dificuldade e ter que parar na clínica de traumatologia, onde enfaixaram o meu pé. Depois disso, tive que tirar licença médica. Mesmo assim, eu não matava as aulas de ballet. Aguentava firme. Não contei nada à professora sobre o incidente. Assim era a minha total e irresistível devoção à dança!


A filha Fernanda (ao fundo) freqüentou a Baby-Class da Escola de Ballet Salma Chemale, aos 5 Anos de Idade  – Março/1990

Depois de certo tempo, fiz aulas numa academia, ou melhor, num estúdio de dança de um ex-bailarino, na Av. Independência, nº 426, que hoje não existe mais. Atualmente abriga a Casa Frasca, um centro cultural e de eventos. A professora se chamava Raquel, uma bailarina que havia regressado de estudos feitos na Alemanha. Ela tinha ido para lá com o marido que também era bailarino, mas, por causa de problemas no joelho, o que deve ter motivado a sua dispensa, acabou voltando para o Brasil, mas o seu marido havia ficado por lá. Ela era muito exigente. Seguia a Escola Russa, mais precisamente o Método Vaganova. As aulas eram pela manhã, mas o pessoal faltava muito às aulas. O curso não durou muito. Lembro-me que, na casa onde funcionava o estúdio, havia dois gatos siameses que gostavam de se esfregar nas pernas da gente, deixando as nossas meias cheias de pelos...


Consegui recuperar na internet a imagem da sala de aula onde estudava no estúdio da Av. Independência, 426, por sinal bem ‘detonada’ e sem o espelho. As barras continuam por lá, último resquício de um passado de saudosas lembranças... Evento Brechó de Desapegos edição “Desapegos de Arte”, na Casa Frasca – Foto: Fábio Alt, Make Up Artist: Juliane Senna, Modelo: Juliane Senna, Produção de Moda: Natalia Guasso e Babi Andrade (Casa da Traça) – 07/08/2016 – Fonte: Blog Itapema FM

Cheguei a fazer uma aula na Academia de Ballet Lenita Ruschel, situado no bairro Menino Deus, que usa o método Royal, mas havia dificuldade para formar uma turma de adultos, que deveria ter um número suficiente de alunos para começar. Assim, desisti do intento. 


Lenita Ruschel – Foto: Site Ballet Lenita Ruschel

Lenita Ruschel dirige a Academia de Ballet Lenita Ruschel, mantendo em Porto Alegre cursos de dança flamenca, street dance, dança contemporânea, jazz e ballet clássic há 60 anos. Iniciou seus estudos nesta cidade com os bailarinos e professores Rolla, Glaci Las Casas e Lya Bastian Meyer, estudou com Maryla Gremo no Rio de Janeiro e fez curso completo da Royal Academy Of Dance em Londres. Estudou dança moderna com Nina Verchinina, Esther Piragibe, Graciela Luciane, Ricardo Ordonez, Tony Abbot, Elza Villarino, Arthur Mitchel e outros.


Acabei conhecendo o Studio Maria Cristina Futuro. Foi um tempo muito legal. Fiz o Básico I em 1993, o Básico II em 1994, e freqüentei as turmas do 3º e 4º anos em 1995. Neste último ano, não cheguei a terminar, pois foi o ano em que nos mudamos e a mãe teve problemas de saúde. Foi um período bem atribulado. Lembro-me que, em 1993, quando o meu pai faleceu, apesar da minha tristeza, fui fazer aula, mas não contei a ninguém o que havia acontecido para não acabar chorando. Aquela atividade me dava forças para superar o sentimento de luto. Mas as músicas pareciam ser mais melancólicas do que nunca. Sentia saudades de meu pai...


No Natal de 1993 me dei de presente sapatilhas de ponta da marca Cecília Kerche. Naquele tempo, trabalhava como tesoureira na creche de nossa Associação, onde fazia parte da Diretoria. Podia fazer as aulas de manhã tranquilamente e algumas aulas de pontas à tarde. Mas as coisas não eram tão simples assim. Enfrentei olhares meio debochados de certas meninas, discriminando-me, tanto pela minha idade como pelas minhas gordurinhas... Mas o pessoal da equipe de professores sempre me deu muita força. Eles percebiam como eu era esforçada e responsável. A Maria Cristina sempre foi muito exigente e competente. A sua filha Patrícia seguiu o caminho da mãe, tornando-se uma excelente bailarina. No começo, tive aulas com a Flávia P. do Valle, depois com a Sílvia Britto Velho e com a Cíntia Neto. Poucas vezes tive aulas com o Alexandro Reis, um excepcional bailarino. Lembro-me com carinho da Dona Merecilda Futuro, que trabalhava na Administração. As antigas fitas de vídeo, com as apresentações da Escola em 1993 e 1994, não estão mais aqui para relembrá-las, mas ficaram as anotações das aulas teóricas, como as do pequeno dicionário de ballet, anatomia, grandes ballets, personalidades do mundo do ballet, teoria musical, história da dança e maquiagem...


As professoras daquela época (da esq. p/dir.): Cíntia, Flávia, Patrícia, Maria Cristina e Sílvia


Alexandro Reis – 2012 – Foto: Ballet Maria Cristina Futuro


Cheguei a fazer aulas de pontas, o que foi bem dolorido, mas ia com os dedos preparados, enrolados em esparadrapos e, com a ajuda das ponteiras, até que dava para agüentar firme. Legal foi a nossa montagem, como exercício de aula, do ballet A Bela Adormecida. Eu era a Carabosse (a feiticeira), e também fiz um bonitinho Pássaro Azul, com uma pequena coreografia idealizada por mim. Comprei até um adereço para a cabeça com plumas azuis na cabeça. Cada aluna criou a sua ‘fantasia’, sendo que eu fiz a varinha mágica com purpurina para a colega que fez o papel da Fada Lilás. Criamos os passos e os ensaiamos sozinhas, para depois apresentar o espetáculo para a professora Cíntia. Ela adorou... A foto foi feita durante o ensaio da nossa montagem do ballet A Bela Adormecida, como o ‘Pássaro Azul’ – 1995.


O Ballet Maria Cristina Futuro foi fundado em 1975, com sede na Rua Dona Laura, nº 556, em Porto Alegre RS. A escola segue o Método Vaganova. Este método foi desenvolvido pela bailarina russa Agrippina Vaganova, que incorporou ao ballet clássico russo aspectos vigorosos e de forte expressão corporal (in Princípios Básicos do Ballet Clássico, de Agrippina Vaganova). Maria Cristina foi aluna da professora Salma Chemale, que, por sua vez, estudou a técnica do ballet com a professora Lya Bastian Meyer, já referida nesta postagem.


Maria Cristina Futuro e Jean Dubois, nos bastidores da apresentação da coreografia Valsas Românticos de Brahms, da Escola de Dança João Luiz Rolla. O espetáculo foi apresentado no Theatro São Pedro em Porto Alegre RS, no mês de setembro de 1959. Fonte: Repositório Digital UFRGS



Durante este último período, comprei vários livros, fitas de vídeo, depois substituídas pelos DVDs, além de CDs com músicas de ballets famosos. Houve uma época em que eu e minha filha seguidamente íamos ao teatro ver apresentações de ballets. Para mim foi emocionante assistir a Ana Botafogo dançar ao som da orquestra da Ospa no antigo Teatro Leopoldina, depois transformado no Teatro da Ospa. Lembro-me que ela fez outra apresentação no Teatro São Pedro, com músicas tocadas ao piano, que foi simplesmente fantástica! Ao longo de poucos anos assistimos diversas companhias, tanto brasileiras como estrangeiras. Este foi um período mágico... O ballet é uma arte que me toca profundamente. Aliás, como nenhuma outra coisa nesta vida conseguiu fazer. Acho que, se pudesse, trocaria toda esta minha existência pela de uma eterna bailarina, ou seja, aquela que nunca envelhece, que tem sempre o corpo ideal para a arte, dançando com uma técnica perfeita, magistral, quase tocando o portal divino. Uma história parecida com Sapatinhos Vermelhos, mas sem o final trágico...


As histórias dos ballets quase sempre são tristemente belas. Aliás, são como a vida, cheia de acontecimentos que guardam a sua beleza efêmera e triste. O objetivo maior da dança não deve ser o da busca da riqueza ou da fama. Aliás, a carreira de bailarino é fugaz, sendo que pouquíssimos conseguem brilhar até o final, como Nureyev ou Margot Fontaine. O importante é conseguir conquistar os corações das pessoas, proporcionando momentos de encanto e felicidade, elevando-os além da realidade rotineira do dia a dia. Acho que este é o sentido mais nobre da dança, que nunca deve ser esquecido...


Para finalizar a postagem, achei este vídeo bem legal sobre a jornada em busca do sonho de Christine White em se tornar bailarina aos 50 anos, chamado ‘O futuro me diz vem... ’.



domingo, 24 de dezembro de 2017

Família Göller - Álbum de Família


IMIGRANTE ELISABETHA GÖLLER E ESPOSO JOAHNN ANSCHAU

RAMO NICOLAU ANSCHAU E CATHARINA MÜLLER


Nicolau Anschau, filho dos imigrantes Elisabetha Göller e Johann Anschau, com a esposa Catharina Müller Anschau, filha de Marco Müller e Maria Haupenthal – Salvador das Missões RS – Década de 1890


Nicolau Anschau e seus filhos (atrás, da esq. p/ dir.): João Francisco, Jorge, Jacob, Nicolau, Christiano, Guilherme e Pedro Afonso; (sentadas, da esq. p/dir.): Maria, Theresa, Catharina, Irmã Adelina, Elisabetha e Anna – Salvador das Missões RS (possivelmente) – Início dos Anos 1930. Foto: Therezinha Ivéte R. Anschau


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Memórias de uma Cidade - Tradições Portuguesas


ROMARIA PORTUGUESA – PORTUGAL E SUAS FESTAS POPULARES


1ª Edição da Romaria Portuguesa – Portugal e Suas Festas – Foto: Romaria Portuguesa - Facebook

A Igreja das Dores foi palco da 1ª Edição da festa de Porto Alegre inspirada nas tradicionais festas e romarias portuguesas, já que o culto a Nossa Senhora das Dores foi trazido pelos portugueses. Inicialmente, a festa estava programada para acontecer no mês de outubro, dentro dos festejos dos 185 anos da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, mas, em função do tempo chuvoso, a festa foi transferida para o dia 25/11/2017. As atrações abrangeram música, dança, literatura, artesanato, gastronomia e missa comemorativa. A Igreja de Nossa Senhora das Dores situa-se no Centro Histórico de Porto Alegre RS, na Rua dos Andradas, nº 597, sendo considerada a mais antiga existente na atualidade. Vejamos um pouco de sua história.




HISTÓRIA DA IGREJA DAS DORES

A devoção a Nossa Senhora das Dores foi trazida ao Brasil pelos portugueses por volta do ano de 1770. Em Porto Alegre, o culto já era realizado em 1779, através de devotos que mandavam rezar uma missa especial às sextas-feiras, num dos altares laterais com a imagem da Padroeira, na antiga sede da Matriz da Mãe de Deus. Esta era a principal igreja de Porto Alegre, que, posteriormente, veio a se tornar a Catedral Metropolitana. O núcleo de fiéis evoluiu para uma Irmandade e, mais tarde, foi elevada à Ordem Terceira, formada por leigos católicos vinculados à Ordem dos Servos de Maria, uma ordem religiosa de frades que cultuavam devoção a Nossa Senhora das Dores. Depois, uma freguesia autônoma foi criada em 24/10/1832, quando se desmembrou da paróquia da Madre de Deus, mas somente em 1859, por indicação de Dom Pedro II, recebeu um pároco que era o Padre José Soares do Patrocínio Mendonça. 


Numa imagem panorâmica vemos, ao lado da Capela do Espírito Santo (primeira à esquerda), a Igreja Matriz da Mãe de Deus, futura Catedral Metropolitana, na Praça Mal. Deodoro, e a Igreja das Dores (dir.), de frente para o Guaíba – Final da Década de 1910

A pedra fundamental do prédio da Igreja de Nossa Senhora das Dores foi lançada em 02/02/1807. No ano de 1813, foi concluída a capela-mor, e a imagem de Nossa Senhora foi trasladada da Matriz para a nova igreja. A consagração da igreja ocorreu em 10/05/1868, através do Bispo Dom Sebastião Dias Laranjeira. A partir de doações, o templo foi sendo ampliado e modificado. Foram acrescidas as escadarias de 63 degraus em 1873, e as torres, no estilo barroco português, foram concluídas somente no final do Século XIX. Somente em 1904 as obras chegaram ao seu término.


A Igreja das Dores quando ainda não tinha os campanários – 1890 – Fonte: Igreja das Dores - Facebook

Uma vez inaugurado o corpo da igreja, coube ao prior, Capitão Mar e Guerra Manuel de Oliveira Paes embelezar e emparelhar o templo. De 1869 a 1873 foi construída a imponente escadaria, com verbas provenientes de loterias, concedidas para este fim pelo governo da Província. O terreno na frente da igreja foi recebido pela Irmandade em 1859, com 124 palmos sob o alinhamento da Rua da Praia. Neste local, até 1857, eram executados os condenados à forca. Para a construção da escadaria, era condição da intendência de que a Ordem Terceira construísse um cais, que foi executado através de auxílio financeiro do Prior da época: o conhecido e influente comerciante Lopo Gonçalves Bastos. Desde então, a centenária escadaria das Dores é palco para diversas atividades artísticas e religiosas: Procissões, festas juninas, apresentação de orquestras, esquetes teatrais e o aniversário da Capital dos Gaúchos.


A Igreja das Dores no final do Século XIX – Fonte: Blog Por Porto Alegre

O projeto original da Igreja Nossa Senhora das Dores foi traçado no estilo barroco colonial, porém, ao longo do tempo, a necessidade de sua readequação levou à contratação do arquiteto Júlio Weise, que reelaborou a fachada no estilo eclético, com influência germânica. No interior do templo, elementos barrocos convivem com as concepções neoclássicas. Além disso, possui um rico acervo, composto por cerca de dois mil itens, por isso há planos de ser futuramente sede de um Museu de Artes Sacras. Na atualidade, depois de ter passado por diversas restaurações, a igreja foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN). 


Detalhes da atual Igreja – Fotos: Lisete Göller


OS PRIMEIROS REGISTROS ECLESIÁSTICOS

O primeiro batismo foi realizado em 27/03/1859, referente ao menino João da Silveira, filho de João José da Silveira e Florentina Joaquina da Conceição. O primeiro casamento foi realizado em 19/03/1859, sendo os noivos Manoel da Costa Cardoso e Antonia Lourenço do Espírito Santo. O primeiro registro de óbito, ocorrido em 21/03/1859, foi o de Israel Soares de Paiva, natural de Porto Alegre, aos 65 anos, sendo viúvo de Dona Belmira de Souza Lima e Paiva. Os registros foram feitos pelo pároco, Padre José Soares do Patrocínio Mendonça.


ATRAÇÕES DA ROMARIA PORTUGUESA – PORTUGAL E SUAS FESTAS POPULARES

No dia da Romaria Portuguesa, a tarde foi chuvosa. Por esta razão, a festa foi realizada no salão paroquial. Na abertura, visita às barraquinhas de gastronomia e artesanato portugueses.


Artesanatos tipicamente portugueses e tamancos com temática portuguesa pelo Atelier Mãos e Artes; quadros retratando Portugal da Coisas da Beltrana – Fotos: Romaria Portuguesa – Facebook


Doces portugueses da confeitaria Amo.te Lisboa; vinhos e espumantes portugueses trazidos da Porto a Porto; na barraquinha da Casa de Portugal, representada pelo Chef Joaquim Rodrigues, Bolinhos de Bacalhau e Bacalhau a Gomes de Sá - Fotos: Romaria Portuguesa – Facebook


Apresentação de música portuguesa comandada por Antônio Leitão, que integrou o grupo Boinas Brancas da Casa de Portugal – Foto: Lisete Göller


Na apresentação de trechos de obras dos poetas Fernando Pessoa e Florbela Espanca, além dos romancistas Eça de Queiroz e José Saramago, a jornalista e Mestre em Literatura pela UFRGS, Patrícia Lima, fez uma leitura destes autores portugueses – Foto: Lisete Göller


Um momento muito aguardado: a Dança Açoriana apresentada pelo Rancho Folclórico da Casa dos Açores do RS – Foto: Lisete Göller


O grupo Rancho Folclórico foi fundado em 25/07/1992, com o apoio do Governo Regional dos Açores, Portugal – Foto: Lisete Göller


Karine da Cunha, uma catarinense radicada no Rio Grande do Sul, apresentou “Cantoras Portuguesas”, interpretando algumas canções da nova geração de cantoras da música portuguesa – Foto: Romaria Portuguesa – Facebook


Depois da Missa Comemorativa na Igreja das Dores, o grupo Alma Lusitana, criado em 2005, fez o show de encerramento da Romaria Portuguesa, com fados e músicas portuguesas – Foto: Romaria Portuguesa – Facebook


Foto: Dayane Alencar